Comprei Memória das Minhas Putas Tristes de Gabriel García Marquez.
Não se concretizou a minha intenção inicial de ler o pequeno livro que tem uma meras 90 páginas. Estava cansado, ainda sob o efeito de alguma adrenalina do exame, o qual me tinha corrido relativamente bem. De modo que dormitei durante algum tempo e, para além disso, o ritmo da leitura foi lento.
Acabei por ficar mais ou menos a meio do livro. Das páginas que li, gostava de fazer aqui referência a algumas passagens que acho interessantes.
- Ao velho escritor autor de uma crónica semanal num jornal, e que é a personagem principal do livro, o director do jornal procura sugerir que se renove no que respeita ao conteúdo e forma das suas crónicas. Terá o director argumentado "o mundo avança". "É verdade", retrucou o velho de 90 anos, "avança, mas dando voltas em torno do sol";
- "Descobri que a minha obsessão de que cada coisa estivesse no seu lugar, cada assunto no seu tempo, cada palavra no seu estilo, não era o prémio merecido de uma mente ordenada mas, pelo contrário, um sistema completo de simulação inventado por mim para ocultar a desordem da minha natureza. Descobri que não sou disciplinado por virtude, mas como reacção contra a minha negligência; que pareço generoso para encobrir a minha mesquinhez, que passo por prudente por ser pessimista, que sou conciliador para não sucumbir às minhas cóleras reprimidas, que só sou pontual para que não se saiba que pouco me importa o tempo alheio."
- "Os loucos mansos adiantam-se no futuro".